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terça-feira, 8 de julho de 2014

Entrevista na Alfândega – Jonas Schwertner (Egito e Jordânia)

Quero compartilhar aqui mais uma entrevista:

valem a pena ler as demais entrevistas deste blog.


http://uziporai.blogspot.com.br/2014/07/entrevista-na-alfandega-jonas.html

Entrevista na Alfândega – Jonas Schwertner (Egito e Jordânia)

O orkut vai acabar, a Copa está prestes a terminar, mas a vontade de viajar parece não ter fim. E quem pode provar isso é nosso convidado desta edição. O “Entrevista na Alfândega” tem a honra de receber um guru do turismo que já viajou por nada menos que 74 países.

Cairo
Jonas Schwertner em Cairo.
Jonas Schwertner tem 33 anos, é consultor da área comercial, mas gasta boa parte do seu tempo explorando e mantendo seu blog: o jonasschwertner.com/, o qual possui um conteúdo de fazer inveja à Lonely Planet. Por já ter viajado para todos os continentes do planeta Terra, Jonas monta roteiros por encomenda para qualquer parte do mundo, se bobear até para Marte.

Uzi Por Aí: Jonas, eu fiquei muito feliz de você ter aceitado o meu convite, porque eu lhe acompanho desde o Orkut, onde você já dava dicas e informações na comunidade: “Mochileiros na Europa”, inclusive chegou a sanar algumas dúvidas minhas em 2010. Você é praticamente uma celebridade do nicho dos mochileiros e acho que com essa entrevista, as pessoas poderão te conhecer melhor como ser humano, não apenas como guia.

E por falar em conhecer, após ir a 74 países, não chega a dar uma sensação de repetição? De já vi isso antes? Ou isso acontece mais quando se trata de uma longa viagem? 

Jonas Schwertner: O prazer é meu de poder estar fazendo a mais esta entrevista. 

Até agora são 74 países... É estranha a visão que eu tenho de alguns destinos e viagens em relação a outras pessoas. Primeiro é os lugares que eu quero viajar. Muitos perguntam: “por que você não vai para lugares ‘normais’ ao invés de ir para lugares que a maioria nem ouviu falar?”. 

Quando eu volto para lugares que eu já fui existem duas situações.
1º- Se é um lugares que eu fui apenas uma vez eu acabo fazendo tudo que já fiz e busco conhecer algo novo. Pois voltar novamente a um lugar que já foi antes faz você enxergar o mesmo lugar de uma forma diferente. Você começa a perceber coisas que antes não percebia. 

2º- Se é um lugar que eu já fui muitas vezes, vou buscando conhecer ou fazer coisas que eu não fiz ainda neste lugar. Ou simplesmente, vou conversando mais com quem está comigo (não volto sozinho, para um lugar que eu já fui muitas vezes). 

Outro dia foi engraçado em Israel (país em que já estive 15 vezes e volto quantas vezes tiver oportunidade). Estava eu sobre o monte do precipício em Nazareth, onde estive neste mesmo lugar um mês antes. Parei, fiquei olhando e rindo de mim mesmo. Como é estranho um lugar tão distante de onde eu moro ser ao mesmo tempo tão próximo... Andar em alguns restaurantes e as pessoas virem me cumprimentar, pois me conhecem como se eu morasse ali. É uma sensação estranha. Não tenho como explicar. Só vivendo. 

Hoje eu prefiro viagens curtas. Máximo de 20 dias. E não gosto de ficar repetindo o mesmo estilo de destino. Quando eu falo em estilo de destino me refiro a, por exemplo: Vou para Europa, turismo mais histórico-cultural. Se eu voltar logo para o mesmo tipo de destino, mesmo que não seja Europa, sei que não vou curtir tanto. Então gosto de fazer “quebrada” e viajar para um lugar com praia, ou interior e assim vai. Esta quebrada também é ótima para viagens longas, pois depois que você volta renova seu olhar. 

Em Nazareth.
 UPA: Taí uma boa dica. Num mochilão muito longo pela Europa, por exemplo, os olhos acabam se acostumando com a arquitetura, aí se perde um pouco da emoção. Mas enfim... Dos muitos países que você visitou, o Egito me chamou a atenção porque é um lugar que ainda sonho em ir um dia. É possível preparar uma viagem ao Egito por conta própria ou fazer uso de uma agência é indispensável? Que dica você pode dar para quem quer conhecer as pirâmides? 

JS: O Egito dá para fazer sim por conta própria, dependendo o roteiro. Eu já ajudei muitas pessoas a fazer por conta própria. Mas existem fatores que você terá que estar preparado. A primeira é ter muita paciência e saber que vai ter que negociar e mesmo assim você vai sair perdendo. É como funciona lá. Cairo, apesar de todo o caos e tudo mais, você chega no aeroporto, pega táxi ou um transfer ate seu hotel. Depois pega um taxi até as pirâmides, museu do Cairo e outros lugares que você possa querer ir. Vale muito a pena.

Pirâmede e camelo.
Camelo e pirâmide.
UPA: Falando assim pareceu que é realmente fácil. Bom... acredito que você não deve ter nenhuma frescura para dormir e comer, porque você já foi a tantos lugares exóticos e longínquos. Mas houve algum país em que o desconforto chegou a te vencer e a fazer você se arrepender de ter ido?

JS: Olha já dormi noites seguidas em aeroportos, em estação de trem, em ônibus péssimos, camping que nem água para banho tinha, mas já dormi em hotéis 6 estrelas. Nem todas estas “noites” tinham sido planejadas desta forma, foram consequências da viagem e de imprevistos. Mas não me arrependo de nenhum destes destinos em que isto tenha acontecido. Faria igual? Não, hoje se voltasse a estes destinos eu faria de uma forma diferente para não passar por estes perrengues. Mas se acontecer... Faz parte. O importante é você estar preparado, principalmente, o psicológico.

UPA: Eu sempre acho que quem viaja muito é mais acostumado com a solidão. Esse é o seu caso? E sendo um pouco mais indiscreto, eu queria saber: como é que um explorador, que tem um estilo bem aventureiro, consegue manter um namoro estável? De modo geral, não existe um conflito entre essas duas coisas?

Eu viajei durante muitos anos sozinho. E o principal motivo era a minha objetividade ao que eu queria conhecer em cada destino. Foram anos assim. Conhecia muitas pessoas nos hostels que eu ficava hospedado, mas em geral 99% dos passeios eu fazia sozinho. Foram poucos que eu fazia junto com o pessoal que eu conhecia no hostel. Mas isto mudou depois que eu voltei a morar no Brasil em 2004 e comecei a organizar grupos pequenos para fazer trilhas e depois com uma ex que viajamos muito juntos. E desde 2008, que uma vez ao ano, eu venho organizando um mochilão para Europa com pessoas que eu convido por grupos de viagem. Monto roteiro, custos, tudo e aí divulgo para quem quiser vir junto. É uma experiência diferente e gostosa, apesar de que muitas vezes dá dor de cabeça. Hoje ainda faço viagens sozinho. Mas são curtas e com propósitos bem específicos. Exemplo: Mergulho Caribe.

Quanto a namoro, quando voltei a viajar com a frequência que eu viajo hoje (desde 2008 estou neste ritmo) era difícil conseguir um namoro que durasse. A maioria dizia que eu tinha uma em cada “aeroporto”. Mas atualmente não tem este problema. A questão é a pessoa com quem você está te conhecer e sentir confiança. Não é por que você viaja que você é infiel. Acho o contrário. E nem sempre com quem estou pode acompanhar o meu ritmo. Mesmo porque muitas viagens que eu faço são a trabalho (para Israel, China, EUA, etc). E comunicação... Hoje em dia é muito tranquilo a comunicação, nem se compara com as opções que tinha há 2 anos. 

Em Jerusalém.
UPA: No seu blog, volta e meia, você solta umas críticas sobre o Brasil e os brasileiros. Comentários com muito fundamento. Mas aí eu pergunto: você acha que está melhorando, que estamos no caminho certo ou sua visão é pessimista em relação ao futuro da nação? 

JS: Eu gosto muito do Brasil, já morei nos EUA, Alemanha, Londres (curto tempo) e tive oportunidades de morar em outros. Mas sempre preferi o Brasil devido às oportunidades e também por que é graças ao Brasil que eu posso viajar tanto. A questão dos brasileiros, eu acho que é algo que vai demorar muito ainda. É mais questão de comportamento.

UPA: Num longo trajeto de avião, num deslocamento largo de trem, o que você costuma fazer, ler, que música geralmente escuta...?

JS: Eu nem músicas baixadas em meu celular eu tenho. Eu deito e 5 minutos já estou dormindo sem usar medicamento algum. Se for de dia eu fico acordado vendo a paisagem, tirando às vezes alguma foto ou conversando. Mas de noite, eu durmo. Se tiver algum filme interessante eu busco ver. Às vezes consigo, às vezes eu durmo com a tv ligada.

UPA: Eu queria ser assim, mas sou péssimo para dormir em viagem. É... Ásia, África, América do Sul, do Norte, Europa, Oceania... O que você aprendeu em cada um dos continentes? 

JS: Cada um é totalmente diferente, são mundos diferentes e dentro de cada um tem suas grandes diferenças. Você aprende muitas coisas que nem sempre são explicáveis. Mas uma das principais que eu falo às pessoas é você ser neutro. Lido muito com a questão de oriente médio e com tudo isto que eu vivo e passo, se você realmente quer absorver e entender o porquê de cada um ter estes costumes, você tem que esquecer tudo que você aprendeu em termos de “certo e errado”. Tudo tem um por que, mas nem sempre precisamos concordar com o que fazem ou o porque isto é feito.

Trânsito.
Trânsito em Cuba.

UPA: Você é nostálgico? Do que você tem saudades? E eu pergunto isso porque quando a gente viaja, conhecemos tantas pessoas que nunca mais voltaremos a ver, passamos momentos que nunca voltarão a se repetir... Ou você já consegue deixar tudo para trás com facilidade? O que, inclusive, parece ser uma característica dos exploradores.

JS: Eu conheci muitas pessoas nesta vida, e realmente quanto mais você conhece mais você aprende a não se prender a quem você sabe que vai ser passageiro em sua vida. Eu uso uma frase em meu blog: “Quando mais viajamos mais percebemos o quanto é grande o mundo, mas quanto mais pessoas conhecemos mais percebemos o quanto ele é pequeno”. Isto porque quando você menos esperar pode se reencontrar com estas pessoas. E isto acontece. E na maioria das vezes sem ser planejado. Você mantém contato hoje com as redes sócia. Mesmo que às vezes não fico conversando com estas pessoas constantemente acompanho as fotos ou o que acontece em suas vidas. Algumas pessoas dizem que sou frio. Eu não vejo desta forma. É meu jeito.

Na Jordânia.
UPA: Eu queria que você nos falasse um pouco sobre Petra. Qual é o modo mais fácil de chegar lá? É possível ir por conta própria? Achou perigoso?

JS: A Jordânia é um dos países mais seguros da região. Muito tranquilo viajar sozinho por lá. E dá para ir por conta própria. Petra, eu tenho uma paixão em especial que nem eu sei explicar. Acho que vem de minha infância dos filmes, documentários e histórias que eu lia. Mas cada vez que eu volto (já foram 5 vezes) eu busco explorar algo diferente lá. E cada vez é como se fosse novo. Existem duas formas fáceis de chegar. Uma é via Amam e de lá você pegar um ônibus até Wadi Rum e ai já esta em Petra. Eu recomendo ficar dois dias. Outra forma é você ir via Eilat no sul de Israel entrando em Aqaba (sul jordania que tem até voos para lá) e ai são 2 horas até Wadi rum. È a opção mais usada para quem quer fazer bate e volta de um dia.

Em Petra.

UPA: De volta ao Egito, um lugar com uma História tão bíblica, com suas pirâmides, o Monte Sião... Você foi também a Israel. Pergunto: sentiu Deus em algum desses lugares? Isto é, qual foi o lugar que te fez sentir uma emoção fora do normal? Ou você é uma pessoa do tipo racional e vê esses lugares, considerados divinos, pelo viés mais histórico mesmo?

JS: Isto é difícil de explicar. Pois o que mais muda é como está o seu estado de espirito. Não existe um lugar que você vai se emocionar mais ou menos. Depende muito de você e do momento. Já senti em muitos lugares. Mexe bastante. Mas dá vontade enorme de voltar ao passado para poder enxergar quando estava acontecendo.

UPA: Quando é que você começou a viajar tanto? Você esperava que tivesse uma vida assim, ou simplesmente aconteceu sem nenhuma previsão?

JS: Começou em 2001 quando fui fazer o estágio nos EUA. Mas depois que eu me mudei para Alemanha em 2003 foi que peguei o vicio.

Bate-volta, Jogo Rápido.

Igreja de Petra.
Vida de viajante: Sem rotina.

Selfie: Viciado em viagens.

Casamento: Dois decidem.

Copa do Mundo: Não curto.

Culpa: Do que deixei fazer.

Um país para amar: Mongólia.

E um para chorar: Cuba.

Três pontos turísticos para babar: Ilha de Páscoa, Petra e Jerusalém antiga.

Turista brasileiro é: Turista de Moda.


E para terminar, o que diria a alguém que só viaja aos Estados Unidos e sempre no intuito de apenas comprar? Que os EUA tem parte cultural e natural que é pouca explorada por brasileiros, cito cidades como Filadélfia, San Francisco além de diversos parques nacionais.

Uzi Por Aí: Jonas, muito obrigado pela entrevista. Acho que muita gente sonha em viajar assim pelo mundo e vendo você fazendo isso, fica evidente que isto é possível, contato que seja um desejo genuíno, e entenda-se por genuíno, aquilo que é prioridade, necessidade. Como você mesmo falou, já enfrentou diversos perrengues e não se importa de tê-los passado porque era algo que você estava disposto a enfrentar para ter esse passaporte invejável, que tem hoje. 

Eu sempre falo que literatura e viagem são as principais atividades para aumentar o sentido de alteridade, ou seja, de pensar no outro, de respeitar o próximo. E eu fiquei feliz de ver em você que a minha teoria está certa (risos). Ao conviver com as diferenças do Oriente Médio, exercitando a “neutralidade”, percebe-se que você trouxe isso para o seu cotidiano. Você é muito solícito com quem quer tirar dúvidas no seu site, teve total disponibilidade para falar comigo, sem fazer distinção se o meu blog tinha muito acesso ou não. É realmente um bom exemplo de ser humano. 

E dito isso, ficamos por aqui, mas voltamos mês que vem. Até lá.

Jonas Schwertner com o animal símbolo da Mongólia.

http://uziporai.blogspot.com.br/2014/07/entrevista-na-alfandega-jonas.html



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